A importância do sono para a sua saúde

O sono, muito mais do que estar deitado de olhos fechados, é um estado complexo essencial para a manutenção da saúde e bem-estar do organismo. São vários os estudos que apontam as curtas noites de sono como causadoras de algumas doenças crónicas, como a diabetes ou o cancro.

 

Mas afinal, quantas horas é que se deve dormir por noite?

 

Esta questão, bem como muitas outras que depreendem uma generalização da população, não tem uma resposta absoluta: depende de cada pessoa. Há projeções do tempo médio, por dia, que deve ser passado a dormir, e, de forma geral, um adulto deve dormir 8h por noite. A necessidade de dormir vai diminuindo com a idade: enquanto que um bebé deverá dormir 12h a 15h diárias, uma pessoa a partir dos 65 anos não terá necessidade, e muitas vezes nem o conseguirá fazer, de dormir as 8h diárias.

 

Quais as consequências de dormir pouco regularmente?

 

Uma das funções do sono é a reparação dos vasos sanguíneos e a sua falta promove um aumento do risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, e doenças renais. A obesidade e a diabetes tipo II também podem surgir como consequência da falta de sono crónica.

 

Outra consequência que advém de um sono insuficiente resulta de danos a nível cerebral, que acaba por se revelar numa perda da capacidade de aprendizagem e memória e diminuição do controlo de emoções podendo, em casos mais extremos, levar a estados depressivos. A hormona do crescimento é também produzida durante o sono e permite um crescimento normal das crianças sendo que a sua escassez leva a problemas de desenvolvimento. O sono desempenha também um papel de apoio ao sistema imunitário, facilitando o combate a infeções.

 

Para além dos riscos individuais mencionados, acrescem ainda os riscos para terceiros: por exemplo, estima-se que a falta de sono prejudique a capacidade de conduzir tanto quanto estar alcoolizado. Quando dormimos pouco, aumenta a possibilidade da ocorrência de micro-sonos. Nos micro-sonos adormece-se involuntariamente, durante um período muito breve (menos de 3 segundos) sem capacidade de controlo.  Num estudo recente foi estabelecia uma ligação entre acidentes trágicos como colapsos de reatores nucleares ou naufrágios de navios com a falta de sono.

 

Como acontece o sono?

 

No nosso cérebro temos “um relógio biológico” que nos informa quando devemos estar acordados e quando devemos estar a dormir. Este relógio natural está alinhado com o ciclo de luz e escuridão do nosso planeta e controla todos os ritmos circadianos (que se repetem a cada 24 horas) do nosso organismo.

 

A produção de melatonina, hormona fundamental para o sono, é estimulada pela ausência de luz: esta é máxima no início da noite de modo a promover o início do sono. Quando somos expostos à luz, diminui a produção de melatonina. Este feito permite controlar o sono mediante a luz.

 

Não é apenas a existência deste mecanismo que leva a adormecer. Dormimos também pela ação de um mecanismo denominado “pressão de sono”, que traduz a necessidade que o nosso cérebro tem de dormir.

 

Quando acordamos de manhã, esta pressão é praticamente zero, mas, com o avançar do dia, a pressão de sono vai aumentando progressivamente atingindo o valor máximo à noite, altura em que necessitamos de dormir. Assim que adormecemos, a pressão de sono volta para valores muito baixos novamente.

 

Se dormirmos a meio do dia uma sesta superior a 30 minutos a pressão de sono vai diminuir drasticamente nessa altura e depois já não há tempo para voltar aos valores mais elevados que nos levam a adormecer à noite.

 

Arquitectura do sono

 

O sono não é um processo uniforme e igual ao longo de toda a noite. Desenvolve-se por várias fases que se organizam em ciclos. O ciclo do sono repete-se 4 a 6 vezes numa noite. Este divide-se em sono não REM e sono REM. REM significa rapid eye movements (movimentos oculares rápidos).

 

O sono não REM, que tem a maior duração e que surge primeiro, é constituído por várias fases:

 

- Fases de sono superficial (transição da vigília para o sono);

- Fase do sono profundo, que é muito importante pela sua acção repousante e restauradora.

 

O sono REM alterna com o sono não REM. Durante o sono REM os nossos olhos movem-se, mas o restante corpo fica paralisado enquanto sonhamos intensamente, a nossa respiração acelera e a atividade cerebral é muito semelhante à que apresentamos quando estamos acordados.

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